07.12.2008 - CNF ao vivo.

No dia 3 de dezembro a Azul Linhas Aéreas Brasileiras fez seu vôo em Belo Horizonte. Nós estivemos lá para acompanhar e trazer todas as novidades dessa companhia que promete trazer inovações. O CNF ao vivo traz mais essa cobertura especial.

Um pouco sobre a companhia

A Azul Linhas Aéreas Brasileiras S.A. foi lançada em março de 2008, com a proposta de trazer inovações e acirrar a concorrência no transporte aéreo brasileiro. De imediato a companhia já anunciou a primeira surpresa, uma frota composta apenas por aeronaves Embraer 195, os chamados E-Jets, que já são sucesso no mundo todo mas que ainda não se faziam presentes na frota de nenhuma companhia nacional. Cerca de dois meses depois, em maio, a companhia lançou oficialmente sua imagem corporativa e anunciou a proposta de operar vôos diretos entre pares de cidades que hoje dependem dos hubs para estarem ligadas entre si.

Em setembro a Azul fez o batismo da sua primeira aeronave, o Embraer 190, que foi arrendado com a intenção de antecipar o início dos vôos para dezembro. O PR-AZL foi chamado de “O Rio de Janeiro continua Azul” e assim deu início a contagem regressiva para o início das operações regulares. As operações regulares serão iniciadas no dia 15 de dezembro, com uma frota composta por três aeronaves, sendo dois Embraer 190 (106 assentos) e um Embraer 195 (118 assentos).

A Azul tem, junto à Embraer, 40 encomendas e mais 36 opções dos dois modelos e a projeção é que a partir de 2009 seja adicionada uma aeronave por mês, fechando o ano com uma frota de 15 exemplares dos dois modelos.




Santos Dumont e Pampulha

O fundador da Azul, o empresário David Neeleman, não esconde que sua grande estratégia é operar uma malha focada no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Algumas ligações propostas só poderão ser realmente efetivadas caso haja uma revisão nas regras de operação do aeroporto, de modo a permitir ligações variadas. Hoje existe uma portaria que permite a operação de jatos apenas nos vôos com destino a São Paulo/Congonhas.

O impasse se formou a partir do momento que o governo do estado do Rio de Janeiro, através do governador Sérgio Cabral, manifestou-se oficialmente contra a proposta de abertura do Santos Dumont. A Azul não abre mão do aeroporto e afirma que não poderá operar no Aeroporto Intl. Tom Jobim/Galeão antes de 2013 por questões de concorrência. Para seus dirigentes a companhia não teria condições de disputar o mercado do Rio operando no internacional.

Uma situação muito semelhante acontece em Belo Horizonte. A Azul quer que a ANAC abra o Aeroporto da Pampulha para que assim possa oferecer com seus E-Jets ligações diretas para fora do estado. Encontraram aqui uma resistência igual ou até maior que a do Rio, já que abrir a Pampulha é algo que vai totalmente contra o interesse do governo mineiro, que desde 2005 trabalha intensamente em favor do desenvolvimento do Aeroporto Intl. Tancredo Neves e de todo o vetor norte. Por enquanto a Azul aguarda uma definição para planejar sua ação no Rio e em Belo Horizonte, já que a ANAC pretende realizar consulta pública em 2009 para definir o destino do Santos Dumont e da Pampulha.




Tudo Azul em Campinas

Enquanto não há uma definição para os aeroportos centrais, a companhia volta a seu conceito inicial, com base no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas. No próximo dia 15 serão inaugurados os trechos Campinas-Porto Alegre e Campinas-Salvador, ambos com cinco vôos diários. No mês seguinte, em 14 de janeiro de 2009, a Azul passa a operar também as ligações de Campinas para Curitiba e Vitória, ambas com quatro vôos diários.

Trata-se de um modelo um tanto inovador, com uma malha que não contempla a capital São Paulo e se foca num aeroporto com baixo movimento de passageiros. Esse desenho inicial chega a ser até um pouco contraditório dentro da proposta da companhia, uma vez que Campinas será algo bem próximo do que São Paulo/Congonhas é para TAM e Gol, ou seja, um hub para o qual estão focadas a grande maioria das ligações.

De toda forma a Azul está apenas começando, o que nos traz a expectativa de que à medida que ganhe capilaridade, com o aumento da frota, passe então a oferecer as ligações ponto a ponto, independentes de hub.




Belo Horizonte no Roadshow da Azul


Com o roadshow promovido nos últimos dias a companhia apresentou suas aeronaves e seus serviços aos convidados, num circuito que contempla Campinas, Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre. Na quarta feira, dia 3 de dezembro, foi a vez de a capital mineira receber o vôo inaugural da mais nova companhia aérea brasileira.


O vôo inaugural

Chegamos ao Aeroporto da Pampulha às 12:10. O horário marcado para o check in era de 12:50 às 13:50 e a decolagem prevista para as 14:50. Neste horário o movimento estava bastante tranqüilo no saguão, apenas com alguns passageiros de dois vôos da TRIP que partiriam na seqüência. A Azul preparou um organizado balcão, caracterizado com a imagem corporativa da companhia e com três funcionários para atendimento aos convidados. Retiramos os boarding passes e as credenciais que dariam acesso à sala de embarque.



Dentro da sala, alguns convidados e membros da Azul já aguardavam pela aeronave, que pela manhã havia cumprido outra etapa do roadshow, em Vitória-ES. Por voltas das 14 horas, o Embraer 190, matrícula PR-AZA, pousou na pista 31 dando início ao evento. Já havia um movimento maior de convidados no saguão, alguns membros da diretoria da Azul já davam entrevistas e aos poucos a sala de embarque foi sendo ocupada.




Passava das 14:30 quando ouvimos a chamada para embarque do vôo Azul 9683, pelo portão 3. Apesar do caráter festivo, a Azul fez questão de cumprir todo o protocolo de uma operação normal. Caminhamos até a aeronave, onde fomos recepcionados pelo vice-presidente de operacional Miguel Dau, pelo chefe de comissários Alexandre Pupa, e por duas comissárias que distribuíam um boné da companhia. Ao entrarmos na aeronave a comissária Michele nos deu as boas vindas, oferecendo água mineral e um lenço refrescante. Os passageiros se dividiam, alguns já acomodados em seus assentos enquanto outros aproveitavam para conhecer mais detalhadamente o Embraer 190.





Miguel Dau e Alexandre Pupa recebem os convidados




Os Embraer 190/195 da Azul são equipados com Dual Head Up Display

Com as portas fechadas o vice-presidente Miguel Dau foi o primeiro a dar as boas vindas através do sistema de áudio da aeronave. Em seguida recebemos do cockpit um rápido briefing do nosso vôo. Iríamos decolar pela pista 31, voar na proa de Montes Claros e retornar para Pampulha. O tempo de vôo estimado era de 45 minutos, semelhante ao de um trecho de BH ao Rio, por exemplo.

Às 14:55 hs., o PR-AZA, batizado de Azulville em homenagem a sede corporativa da companhia, começou a ser tratorado e os dois motores General Eletric CF34 eram acionados. Um dos pontos interessantes da Azul são os speeches a bordo. A companhia tentou fugir das frases repetidas que passam despercebidas pelos passageiros e adotou anúncios um pouco menos formais. O primeiro deles foi a respeito das informações de segurança, recomendando aos passageiros que reservassem 5 minutinhos da viagem para ler os cartões de segurança.



O taxi foi feito via taxiway Alfa e Charlie, seguindo até a cabeceira 31. Pouco depois das 15:00 hs, o Embraer 190 deixou o solo da Pampulha e deu início ao primeiro vôo com passageiros em Minas Gerais. Logo ao passar a lagoa iniciou uma curva a direita, rumo ao norte do estado. O E-Jet sobe de forma fantástica e muito silenciosa, diria até surpreendente considerando que o meu assento, 7A, estava bem ao lado do motor.




Enquanto o PR-AZA se aproximava da camada de nuvens que cobria Belo Horizonte, o diretor de marketing, Gianfranco Betting, abriu a apresentação a bordo frisando a performance do Embraer 190 e a decolagem confortável de poucos minutos atrás. Comentou também a posição da Azul em relação ao interesse do governo de Minas em manter a Pampulha somente com os vôos regionais. Na visão da empresa, o aeroporto deve ser aberto para toda e qualquer ligação. Foi dito ainda que a companhia respeita o governador Aécio Neves e o projeto que existe em favor de Confins, mas que pretende demonstrar os supostos ganhos que a cidade poderá ter abrindo o aeroporto central.



O diretor de marketing da Azul, Gianfranco Beting, fala sobre os serviços da companhia.


Passou-se então para o serviço da companhia, falando inicialmente do espaço diferenciado nas cinco primeiras filas, onde o pitch é de 34 polegadas (86 cm). Para voar nessa área, chamada de Espaço Azul, o cliente pagará R$ 30 a mais no bilhete. A frota da Azul é totalmente equipada e preparada para oferecer TV ao vivo. Como a tecnologia LiveTV ainda está sendo implantada, quando a companhia começar a operar serão 5 canais de conteúdo gravado com programação variada. A partir do segundo semestre de 2009 deverão oferecer então 36 canais de programação ao vivo. É bastante confortável ter um monitor bem à sua frente, ao invés de ter que mirar o teto para tentar ver e ouvir alguma coisa.




O serviço de bordo apesar de simples será diferenciado. Serão seis tipos de serviço, compostos por batatas, biscoitos, waffers e amendoins. Para beber serão oferecidos sucos, refrigerantes, chá, café e água. No nosso vôo, o serviço era composto por batatas fritas e mini-cookies, além das bebidas. Azul adotou um esquema bastante interessante para servir. As comissárias passam anotando os pedidos de bebida de cada passageiro e em seguida retornam com as bandejas, servindo a todos. Isso passa uma sensação de um serviço mais personalizado. Tudo é servido de forma individual, ou seja, nada de carrinhos com garrafas abertas durante todo o vôo. Os refrigerantes são oferecidos em latas e os sucos em caixinhas, outro ponto para a companhia, já que assim a quantidade é maior e a bebida não perde a qualidade. Ao mesmo tempo outras comissárias cuidam dos snacks, oferecidos em cestas, onde o próprio passageiro pega o que quiser, na quantidade que desejar.


Na Azul nada de carrinhos pelo corredor. As bebidas são servidas em bandejas


... e os snacks em cestas.




Tudo com a marca Azul Linhas Aéreas Brasileiras.



O Embraer 190 é um show a parte. A nossa indústria conseguiu juntar em um único projeto tudo que há de melhor no mercado de aeronaves. Voa-se numa aeronave relativamente compacta, na configuração 2x2 assentos, mas com uma sensação de espaço que não fica em débito com nenhum narrow da Airbus ou Boeing. As linhas da cabine são harmônicas e o design é muito bonito. Para quem não abre mão de observar a paisagem, os E-Jets contam com janelas que são 40% maiores que as dos modelos que estamos acostumados a voar no Brasil. Isso sem contar com o fato de não existir a tão famigerada poltrona do meio. Os assentos são revestidos em couro e reservam um espaço bom, tanto na largura quanto no pitch. Nos braços das poltronas estão os controles dos monitores de vídeo e a conexão para o fone de ouvido.





Os assentos são de couro e tanto a largura quanto o pitch são muito bons.


Além do Espaço Azul nas cinco primeiras filas, as saídas de emergência sempre reservam um espaço a mais.


O vice-presidente operacional, Miguel Dau, falou um pouco a respeito da tecnologia embarcada na linha 190/195. Toda a frota da Azul será equipada com HUD (Head-Up Display). Trata-se de um visor de cristal que fica à altura dos olhos dos tripulantes e concentra todas as informações técnicas necessárias para a operação. O dispositivo está disponível para os dois pilotos. Outra facilidade que vai equipar as aeronaves é o EFB – Eletronic Flight Bag, que centraliza e controla de forma eletrônica toda a documentação de bordo.





As aeronaves da Azul serão as únicas no mundo equipadas com Head Up Display duplo.


Após o sorteio de duas maquetes do Embraer 190, o presidente da Azul, Pedro Janot, iniciou seu discurso falando da motivação e da satisfação que evolve todos os membros da companhia. Comentou os principais aspectos da empresa, já abordados pelos diretores, e buscou frisar mais o desejo que a Azul tem de inovar o transporte aéreo, aliando eficiência, qualidade e preços mais justos. Não deixou de reforçar também a questão da Pampulha, reiterando a posição apresentada pelos diretores. Em seguida passou cumprimentando cada um dos convidados de forma bastante simpática, buscando a opinião e as críticas sobre o desempenho inicial.


Duas maquetes do Embraer 190 foram sorteadas a bordo.


O presidente da Azul, Pedro Janot, passa cumprimentando cada um dos convidados.


Às 15:45 o comandante informa que havíamos iniciado a descida pouso na Pampulha. Com os motores reduzidos o pouco ruído praticamente desapareceu. A pista em uso continuava sendo a 31 e aos poucos a cidade voltava a aparecer por baixo do PR-AZA. Novamente o presidente Pedro Janot fez contato e se despediu agradecendo a presença de todos e dizendo que a Azul espera atender Belo Horizonte o mais breve possível. Ressaltou ainda que pretende estar sempre em contato com os passageiros e que todos o verão mais vezes a bordo das aeronaves da Azul.

Faltando exatamente 5 minutos para as 16:00, o PR-AZA tocou o solo da Pampulha e livrou a pista pela taxiway Bravo. Novamente o vice-presidente, Miguel Dau, lançou mão do sistema de áudio e encerrou frisando que todo o conforto que conferimos foi projetado e produzido no Brasil. Após o desembarque os membros da companhia deram entrevistas e posaram para fotos junto à aeronave.



O vice-presidente operacional Miguel Dau destaca a qualidade da aeronave produzida pela Embraer.


Deixando de lado toda a polêmica envolvendo a Pampulha, a Azul merece os parabéns por tudo que mostrou. A companhia conseguiu realmente inovar sem precisar onerar a operação. Por ser um vôo especial alguns aspectos não puderam ser avaliados, como o processo de compra, check in e confirmações, mas com base em tudo que foi mostrado nesse vôo esses aspectos dificilmente deixarão a desejar. Só nos resta agora aguardar a definição desse impasse envolvendo os centrais e esperar que a Azul inicie as operações o mais rápido possível, e que o faça a partir de Confins.





O espaço do Embraer 190 é excelente.


A aeronave conta com a mais avançada tecnologia disponível.




O PR-AZA foi batizado de "Azulville", em homenagem a sede da empresa em Alphaville (Barueri/SP).





O vice-presidente operacional Miguel Dau posa para fotos com o time de comissárias.







O presidente da Azul, Pedro Janot e as cinco comissárias que atuaram no vôo.
















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7 comentários:

Asas da Bahia disse...

Belíssima matéria parabéns ao CNF AO VIVO!

Rodrigo disse...

Muito bom mesmo essa cobertura pena que foi em PLU,ficaria show se fosse em CNF esse vôo.Tiranod esse pensamento da Azul querendo PLU e SDU,ela está muito boa com belas aeronaves,atendimento de bordo.
Bom como eu falei num comentario,valeu a pena esperar pela cobertura.
Parabéns ao CNF ao vivo.

Abraços!

Ronan disse...

Parabéns pela matéria!

Matheus disse...

Prabéns pela matéria. Vcs mais uma vez se superam, nos trazendo informações concisas, interessantes e ilustrativas da aviação em CNF (BHZ) e agora em PLU. Que avião excepcional!!! Sempre me perguntei por que os ACFT's da Embraer fazem tanto sucesso no exterior e por que não eram operados aqui no Brasil. Extremamente comum suas presenças em DFW, IAH, HOU, AUS, JFK, LGA, IAD, DCA, RIC, MIA, onde os vi. Gostaria de saber se fizeram algum vídeo em solo ou mesmo em vôo? Deixo mais uma vez minhas congratulações. Até mais.

Vinicius disse...

Parabéns pela reportagem e pelas fotos. Fiquei impressionado com a aeronave, show...

CNF ao vivo! disse...

Muito obrigado pessoal!!

Mário Celso disse...

Ao CNF ao vivo, meus parabéns por excelentes reportagens, nos mantém informados e, muito bem informados.
Passei a ser fã deste site.
Abraços!