Flight Report - Gol 1309 / 1576



Texto e Fotos por Paulo Cunha – especial para o CNF ao vivo


GOL 1309 Confins–Santos Dumont

O sol e o calor imperavam em Belo Horizonte naquela manhã de sábado, dia 13 de Março de 2010. A temperatura na casa dos 30ºC me animava ainda mais para embarcar para o Rio de Janeiro, onde iria curtir a praia de Ipanema e encontrar com um casal de amigos norte-americanos que visitavam a Cidade Maravilhosa. Para facilitar a minha rápida passagem pelo Rio naquele final de semana, optei por utilizar voos chegando e partindo do tradicional e bem localizado Aeroporto Santos Dumont.

Com o voo marcado para às 12h45, cheguei ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, exatamente uma hora antes da partida. Na noite anterior, já tinha feito o check-in pela internet no site da Gol e estava com o cartão de embarque impresso e assento marcado na poltrona 21A. Como não tinha bagagem para despachar, foi tudo muito tranqüilo, porém, a caminho da sala de embarque surgiu uma dúvida. Minha esposa, que também viajava comigo, levava um secador de cabelos na sua mala de mão, objeto comum na bagagem das mulheres, e fiquei na dúvida se poderia embarcar com aquele ‘equipamento’ na mala de mão. Como tinha tempo de sobra resolvi passar no check-in da Gol, praticamente vazio naquele horário (11h50), para tirar essa dúvida e, claro, uma foto! Rapidamente fui atendido por um funcionário da companhia que me esclareceu que não há problema em embarcar com o poderoso secador. Voando, viajando e aprendendo!

Já na sala de embarque, com pouco movimento, aguardei a chamada para o voo, que aconteceu às 12h12, no portão 04. Com poucos passageiros a bordo, exatamente 20 minutos após a chamada para o embarque (12h32), o Boeing 737-700, prefixo PR-VBM, nas cores da Varig, fechava a porta.





Às 12h37 os motores foram acionados e dois minutos depois iniciamos o táxi rumo à pista 34. Sem nenhuma outra aeronave à frente, alinhamos na cabeceira 34 de Confins e pontualmente às 12h45, o Comandante Lotto deu potência nos motores do B737-700 PR-VBM e segundos depois já decolávamos rumo ao Rio de Janeiro.

Com ótima visibilidade, céu praticamente sem nuvens, muito sol e pouco tráfego, o eficiente voo Gol 1309 daquele sábado transcorreu sem nenhum problema. Para um trecho tão curto, a tripulação tinha que trabalhar rápido. Dez minutos após a decolagem foi iniciado o modesto serviço de bordo para os poucos passageiros a bordo. Sem grandes surpresas. Água, sucos e refrigerante acompanhados por um biscoito salgado. Sem nenhum exemplar de revista da Gol disponível nos bolsões das poltronas, o entretenimento ficou mesmo na contemplação da bela paisagem das montanhas de Minas Gerais até a chegada na capital fluminense.






Após um ‘speech’ bem simplório, sem ao menos informar altitude de cruzeiro e velocidade, o Comandante Lotto iniciou às 13h09 a descida para o pouso. Dez minutos depois já estávamos realizando os procedimentos de aproximação para a pista 20 do aeroporto Santos Dumont.

A chegada ao Rio de Janeiro pelo Santos Dumont, sobretudo, num dia de sol e com tempo bom, é uma das aproximações mais bacanas de se acompanhar. Na preparação do pouso foi possível contemplar a bela paisagem da Cidade Maravilhosa e facilmente identificar locais como o Pão de Açúcar, Cristo Redentor, aeroporto internacional do Galeão, Ilha Fiscal, centro da cidade, o porto, a Ponte Rio-Niteroi e o próprio aeroporto Santos Dumont.

Com os flaps totalmente baixados e velocidade mínima para aterrissagem na pista 20 esquerda de Santos Dumont, pontualmente às 13h30 o Boeing 737 tocou o solo, completando em exatos 45 minutos o trecho entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A temperatura local era de 34ºC, com sol e poucas nuvens. Chegamos exatamente 17 minutos antes do horário publicado, as 13h47.










Os motores foram cortados as 13h34 e três minutos depois iniciado o desembarque, através do finger no portão 06. Há cinco anos não desembarcava no aeroporto Santos Dumont e foi ótimo poder conhecer o novo terminal de passageiros, inaugurado em 2007, na época dos jogos Pan-Americanos no Rio. A arquitetura do novo terminal me chamou a atenção. Todo de vidro, o projeto do novo terminal preservou uma das melhores características do aeroporto, a bela vista da Baía de Guanabara. Muito mais confortável, climatizado, amplo e bem iluminado, o novo terminal de passageiros deixou uma ótima impressão.

No desembarque aproveitei para passar no saguão central do terminal antigo para rever o busto e painel em homenagem ao Pai da Aviação, Santos Dumont, além dos tradicionais painéis ‘Aviação Antiga’ e ‘Aviação Moderna’, do pintor Cadmo Fausto. É sempre muito bom estar num lugar tão especial e histórico para a aviação comercial brasileira, como o clássico saguão central do Santos Dumont.










GOL 1576 Santos Dumont-Confins

No final da tarde daquele domingo, 14 de março, tempestades de raios, trovões e muita chuva tomaram conta da cidade do Rio de Janeiro por volta das 18hs. Sentado com os amigos num tradicional restaurante no bairro da Urca, era possível ver que a cidade começava a entrar em estado de alerta e que o aeroporto Santos Dumont estava fechado, já que não se via e nem se ouvia mais nenhum avião subindo ou descendo.

Como meu voo de retorno a Belo Horizonte estava agendado para as 20h50, esperei a chuva acalmar e fiquei no restaurante até o limite máximo de horário para ir ao aeroporto. Cheguei ao Santos Dumont as 20h10 e, novamente, como não tinha bagagem para despachar, rapidamente fiz o meu check-in no toten da Gol, sem filas, dúvidas ou contratempos.

Subi rapidamente para a sala de embarque, no novo terminal de passageiro, e logo ao entrar confirmei o que já desconfiava: todos os voos estavam atrasados. Conversando com algumas pessoas, descobri que naquela mesma tarde a chuva tinha castigado não só a cidade do Rio de Janeiro, como também São Paulo e, portanto, os dois aeroportos, Santos Dumont e Congonhas, estavam fechados há mais de uma hora.






Com a sala de embarque lotada de passageiros e sem a mínima ideia do que iria acontecer, achei um lugar para sentar e aguardei, ao menos, o aeroporto reabrir. As 20h52 (como se vê na foto), a média de atraso dos voos era de 2 horas. O meu voo, o Gol 1576 das 20h50 com destino a Confins, sequer aparecia no painel de partidas da Infraero. Não havia muito a fazer, a não ser aguardar, já que era impossível ter alguma informação concreta e correta sobre o que iria acontecer.

A chuva só acalmou depois das 21hs. O aeroporto foi reaberto e aos poucos os passageiros dos primeiros voos (das 18hs) começaram a ser embarcados. Como a lista de voos atrasados era muito grande, a minha esperança era de que ao menos conseguisse embarcar até antes das 23hs, horário que são encerradas as operações no aeroporto Santos Dumont.

Fiquei monitorando a partidas dos outros voos, quando então as 22h14, finalmente, meu voo apareceu no painel de partidas e, no mesmo instante a companhia aérea comunicou pelo auto-falante a confirmação da partida de vários voos, inclusive o 1576. Agora só bastava esperar, mais um pouco, e torcer para não voltar a chover forte.

Finalmente as 22h28 a Gol anunciou o embarque dos passageiros. Sentei na poltrona 16A e aguardei vinte minutos (22h48), quando iniciamos o táxi para a pista 02. Caia uma chuva fina, o aeroporto estava prestes a fechar e a fila de aeronaves que aguardavam para a decolagem era grande. Estávamos em segundo na fila, até a que as 22h54, o Boeing 737-700, prefixo PR-VBO, começou a correr a pista 02 do Santos Dumont rumo a Belo Horizonte.






Após a decolagem rapidamente entramos numa grande nuvem e houve muita turbulência. Na cabine de comando, o Comandante Romanato informava que iríamos ter zonas de turbulência durante todo o voo. Os sinais luminosos de ‘apertar os cintos’ ficaram ligados praticamente em todo o trajeto e o serviço de bordo foi cancelado. As 23h28 iniciamos o procedimento de descida para o aeroporto de Confins. Já não havia mais turbulência e, de acordo com o comandante, o pouso estava previsto para as 23h50.

Porém, logo após iniciarmos a descida, o Comandante Romanato informou aos passageiros que, em função do grande número de aeronaves que tiveram que ser desviadas para Confins por causa das chuvas e fechamento dos aeroportos no Rio e em SP, não havia espaço no pátio para que pudéssemos efetuar o nosso desembarque. Conclusão: ficamos voando por cerca de 20 minutos no entorno de Belo Horizonte aguardando nossa autorização para pouso. Da janela da aeronave, era possível avistar facilmente outras três aeronaves fazendo o mesmo procedimento. Nesse período enquanto aguardávamos a autorização para o pouso, a tripulação passou rapidamente servindo copos de água aos passageiros.

Após dar um verdadeiro ‘rolê’ por BH, então já no primeiro minuto (0h01) de segunda-feira, 15 de março, o 737-700 da Gol proveniente do Rio de Janeiro, Santos Dumont, tocou o solo da pista 16 do aeroporto de Confins. O trajeto foi realizado em 1h05, com um atraso total de 1h56 minutos, em relação ao horário publicado, 22h05.

Durante o trajeto taxi para o portão 6, onde foi realizado o desembarque, foi possível enxergar da janela a grande movimentação de aeronaves naquele noite em Confins. Consegui contar ao todo 17 aeronaves naquele horário (0h05) no aeroporto, entre elas 4 aviões na fila aguardando para decolar, uma outra aeronaves em procedimento de pouso, o pátio lotado, além de um Airbus A-330 da TAM estacionado no pátio do Terminal de Cargas. O desembarque foi rápido e sem problemas. Na saída do finger observei a sala de embarque lotada de passageiros aguardando seus voos. Já passava da 0h15.

Embora esses tipos de contratempos e atrasos sejam sempre muito desagradáveis numa viagem aérea, percebi que naquele movimentada noite domingo os funcionários das companhias aéreas em Santos Dumont trabalharam muito para viabilizar o embarque dos passageiros o mais rápido possível e com toda a segurança. Contudo, infelizmente, ainda temos que assistir cenas de passageiros fora do controle que, sem perceber as péssimas condições climáticas para o voo, são mal educados com os funcionários das empresas e acham que podem exigir, a todo custo e na base da força, o embarque. Educação combina com aviação!


Avaliação:

Reserva/Compra: Excelente.
Fiz a compra pelo site da companhia com mais de 30 dias de antecedência e consegui ótimos preços de tarifas para os horários que precisava voar. Voos para o Galeão e Santos Dumont estavam com preços combatíveis. Na hora da escolha, optei pelo aeroporto mais bem localizado.

Check-In: Excelente.
Na ida fiz o check-in pela internet. Foi ótimo. Na volta utilizei o toten de auto atendimento. Como não tinha bagagem para despachar, foi tudo muito rápido e tranqüilo.

Embarque: Excelente.
Na ida o embarque foi muito tranqüilo, ocorreu de forma rápida, pois tanto o avião como a sala de embarque estavam razoavelmente vazios. No retorno, embora com atraso, o embarque foi muito eficiente, já que a aeronave tinha limite máximo de horário para decolagem.

Assento: Regular.
Definitivamente os assentos das aeronaves da Gol/Varig são muito desconfortáveis, sobretudo para passageiros grandes e com mais de 1,80 de altura. Para trechos curtos é aceitável.

Entretenimento: Não há.
Na ida não havia nenhuma revista de bordo da Gol nos bolsões das poltronas. Na aeronave que fez o voo de retorno foi possível encontrar alguns exemplares espalhados pela aeronave.

Serviço dos comissários: Regular.
Na ida, serviço apenas eficiente, sem cordialidades. A tripulação foi rápida na distribuição das bebidas e biscoito. A aeronave estava vazia. No retorno, a tripulação foi mais cordial. Embora o serviço de bordo tenha sido cancelado em função da forte turbulência, no final do voo enquanto aguardávamos autorização para pouso, a tripulação passou rapidamente distribuindo copos de água para os passageiros. Demonstrou ser mais cordial.

Refeições: Regular.
Biscoitinho salgado bem ok. Preferia a época do amendoim.

Bebidas: Regular.
Água mineral, refrigerante e sucos.

Desembarque: Excelente.
Muito tranqüilo, sem problemas ou contratempos. Estava apenas com bagagem de mão.

Pontualidade: Excelente (Ida) – Sem Nota (Volta).
No voo de ida a pontualidade foi incrível. A empresa foi ‘mais do que pontual’. Chegamos ao destino com de 17 minutos de antecedência em relação ao horário publicado. No retorno, em função da chuva e fechamento do aeroporto Santos Dumont, o voo atrasou quase 2 horas. Ficou sem nota!



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11 comentários:

Marco Antonio disse...

Bacana, o que me chama atenção foi o fim do FR, infelizmente o pragmatismo do ser humano hoje em dia está parecendo sem controle... Achando que se pode controlar tudo, tremenda arrogância!

rodrigoandreata disse...

Excelente Paulo,
Estava neste voo da volta (1576) e tudo foi retratado com extrema fidelidade ao acontecido.
Aquela espera na decolagem do SDU foi sinistra, achei que o aeroporto iria fechar...
Grande abraço.

T6-D disse...

Muito bom o FR, demostra bem como está o serviço da Varig/Gol e nos faz sentir como se estivessemos a bordo.
Que o CNF ao Vivo continue a nos brindar com excelentes Flight Reports como este.

Ewerton disse...

gostei muito legal

Marina disse...

Deixa eu dar uma dica... que tal voces agora fazerem o mesmo flight report pela TAM? Pra agente ter uma ideia do diferencial de cada uma e fazer com que possamos escolher melhor a nossa companhia aerea para o rio de janeiro...

Marco Antonio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
CNF ao vivo! disse...

Marina, nossos flight reports são feitos por ocasião, ou seja, não compramos bilhetes exclusivamente com o objetivo de publicar uma matéria. Isso acontece por acaso às vezes, como já temos Gol e Azul na rota Confins-Campinas, temos Webjet para Brasília e teremos Gol. Nossa idéia é mostrar o serviço das empresas em diversas etapas, mostrando suas eventuais diferenças e padrões. Abs.

Marina disse...

Eu costumo viajar bastante pela tam e pela gol pelo brasil a fora... eu poderia fazer um flight report e passar para voces? Ou somente alguem que faz parte da administraçao do site e tal que pode fazer isto?

Lucas Coacci disse...

Marina,

Vou transcrever o que escrevi nos comentarios deste FR.

"Sim, voce e qualquer um pode fazer um FR para o CNF ao vivo. Porem seguimos alguns padroes para a publicação dos FR, como estrutura dos textos, qualidade das fotos, conteudo e etc. Para facilitar a criação dos FR's montamos um tutorial. Caso voce ou qualquer um tenha vontade de fazer um FR, por favor envie um email para nosso email de contato informando o voo que ira efetuar e solicitando o guia para o FR. Vale lembrar que nossa fila de FR esta com varios FR's para publicação e o tempo para isso depende da disponibilidade das materias. Caso aprovemos seu FR ele entra na fila e sera publicado pontualmente.

Qualquer duvida entre em contato via email."

Então qualquer um pode fazer um FR, basta seguir o tutorial.


Atenciosamente,



Lucas Coacci - CNF ao vivo!

Rodrigo disse...

Muito bom o seu FR, belo relato e fotos!!!!Valeu por compartilhar.

Na semana santa fui para o Rio no G3 1907 CNF-SDU no B738 PR-GOO, show de bola, pena que o tempo no Rio estava ruim e nossa APP final foi RNAV para 20, nada de app visual kk, mas foi bom.

Abs

Arthur Baz disse...

Como vc fez pra ir bem num avião da Varig? Mera coencidencia ou você teve que comprar passagem pra classe comfort?