Aeroporto Internacional Tancredo Neves - 25 anos de história - Parte II



O CNF ao vivo segue com a série especial 25 anos do Aeroporto Internacional Tancredo Neves. No primeiro capítulo acompanhamos como foi a escolha do local e todos os estudos de implantação. Agora veremos como foi a obra e como foram os primeiros movimentos em Confins.

30.04.2009 - Texto por Marco Antônio Baldo. Colaboração especial de Luiz Antônio Freitas e José Cursio.


Nasce um novo aeroporto

O consórcio formado pelas construtoras Andrade Gutierrez e Mendes Júnior ganhou a licitação para execução das obras do novo aeroporto. Em maio de 1980 foram iniciados os serviços de terraplenagem, que movimentaram 27 milhões de m³ de terra para se formar uma plataforma com 4,5 milhões de m². Esta etapa durou quase um ano e as obras de construção começaram no início de 1981, com a execução da pista, da drenagem e da primeira parte do terminal de passageiros.


No dia 16 de julho de 1982, um Emb-110 Bandeirante do governo de Minas Gerais pousou em Confins, conduzindo autoridades militares e civis, e inaugurando a pista recém-construída.


Com a inauguração, a COPAER colocou o aeroporto em condições de operar como alternativa ao aeroporto da Pampulha no período chuvoso de 1982/1983. Do final de dezembro de 82 a 31 de março de 83, Confins recebeu 190 aviões que não puderam descer na Pampulha. Foi utilizado o terminal de carga, que já estava pronto e que sofreu algumas modificações provisórias para operar como terminal de passageiros.


No dia 10 de novembro de 1982, precisamente às 11:15, um Boeing 727-200 da VASP pousou. Foi a primeira aeronave comercial a pousar em Confins.

Eram 10:30 do dia 25 de março de 1983, quando Confins recebeu seu primeiro vôo internacional. O Boeing 707-323C da VARIG, matrícula PP-VLP, pousou procedente de Roma, trazendo a bordo 35 toneladas de equipamentos italianos – sinalizadores, tele indicadores de vôos para passageiros, central de sonorização, etc. – destinados ao “novo” aeroporto.

O ritmo de funcionamento do aeroporto de Confins foi aumentando pouco a pouco, à medida em que as obras iam chegando ao fim. No dia 04 de maio de 1983 pousou no novo aeroporto um outro Boeing 707 cargueiro da VARIG, o segundo Boeing deste tipo a aterrissar em solo mineiro, trazendo mais equipamentos que seriam instalados no terminal.






Sistema de Operacional e de Proteção ao Vôo

Em função do trafego aéreo previsto para Belo Horizonte, os técnicos do Ministério da Aeronáutica especificaram sistemas operacionais compatíveis com a importância do novo aeroporto, entre eles o controle do tráfego aéreo com vetoração radar. Para isso foi adquirido pela COPAER um sistema de radar primário e secundário. Para o serviço de informação meteorológica, foi especificada uma estação de superfície completamente automática. Foi incorporada ainda uma estação integrada de comunicações em VHF, para realizar as transmissões entre a terra e os aviões e a divulgação automática de informações do terminal, agregando mais confiabilidade ao sistema.

Além disso, foi instalado no aeroporto um sistema de luzes, composto de balizamento da pista de pouso e das de táxi, luzes de aproximação (SSALR) e sistema de balizamento eletrônico para estacionamento das aeronaves. Todo esse complexo de equipamentos e órgãos operacionais era alimentado por um sistema de energia sem interrupção. Ocupando uma área de 2 mil m², juntamente com a torre de controle, o centro de telecomunicações e o controle de aproximação, os serviços de proteção ao vôo foram equipados com a mais sofisticada tecnologia.

O sistema de proteção contava em linhas gerais com um conjunto VOR/DME, instalado na cidade de Pará de Minas, cuja finalidade era o balizamento de uma entrada na terminal, além de retificar e racionalizar o tráfego de cruzamento, trazendo substancial economia de tempo e combustível para as aeronaves; um conjunto VOR/ DME instalado junto ao marcador externo do ILS, cuja função principal era a alimentação da pista 16, com tráfego de aproximação por instrumentos; um conjunto de rádio-farol para possibilitar a alimentação de ambas as pistas, através de procedimento NDB; e um sistema de pouso por instrumentos, com a tecnologia da Wilcox, categoria I, considerada uma das mais modernas da época.


Balizamento eletrônico em Confins.


Cuidados Ambientais

Uma grande obra de engenharia é geralmente acompanhada de alguns impactos sobre o meio ambiente. Na construção do Aeroporto de Belo Horizonte a COPAER/BH se cercou de cuidados no sentido de harmonizar a obra com a manutenção da qualidade ambiental e a proteção dos valores culturais.

Neste objetivo foi instituída uma consultoria de meio ambiente, com a participação de especialistas da UFMG, para a avaliação dos impactos, planejamento e acompanhamento das medidas de proteção.

Drenagem

O principal desafio enfrentado pelos técnicos constituiu-se na distribuição da drenagem. Imediatamente abaixo da plataforma estende-se uma complicada drenagem natural, característica de regiões calcárias. Trata-se de cursos intermitentes, por vezes subterrâneos, com muitos sumidouros e ressurgências. Lagoas de grande beleza e importância turística são também abundantes. Estas comunicam-se por canais subterrâneos provenientes de dissoluções e fendas no calcário.



No vertente do Ribeirão do Jaque, picos de vazão poderiam acarretar destruições de construções civis e culturas. A drenagem foi então projetada, levando-se em conta a proteção dos sítios urbanos, lagoas e, principalmente, dos canais subterrâneos que se obstruídos na fase de terraplenagem, poderiam ocasionar danos imprevisíveis. O próprio povoado de Confins situa-se numa bacia fechada e drenada por canais subterrâneos.

Para a proteção destes valores a drenagem do Aeroporto foi projetada de maneira a distribuir as vazões de acordo com as capacidades e necessidades dos diferentes vales, mantendo-se a integridade natural das bacias.

Paralelamente, desenvolveu-se um sistema de barragens e canais com vertedouros filtrantes e destinados ao amortecimento de velocidades, contenção dos picos de vazão e retenção de sólidos. O resultado foi surpreendente: mesmo recebendo as enxurradas da plataforma em fase de terraplenagem, os sedimentos foram retidos e as bacias protegidas. Os lagos foram mantidos azuis durante toda a estação chuvosa de 1980/1981/1982.

Cobertura Vegetal

A plataforma, os cortes e taludes e mesmo alguns bota-fora, foram protegidos pelo plantio de grama em placa ou por hidrossemeadura. Mais de dois milhões de metros quadrados foram plantados, recompondo-se a paisagem e protegendo o terreno contra a erosão. Um horto de produção de mudas de árvores foi implantado em junho de 1981, dando-se prioridade à obtenção de mudas de espécies da flora regional, para integrar o paisagismo e a recuperação de áreas descaracterizadas pelas obras.



Drenagem de Proteção

A área de ocupação do aeroporto na Bacia de Confins é da ordem de 19%. Para atender aos objetivos de proteção da bacia foram adotadas as seguintes previdências:

• construção de uma barragem de retenção de sedimentos na vertente de Lagoa de Baixo, para amortecimento dos picos de vazão, diminuição de velocidade e retenção de parte da fração detrítica carreada.

• construção de 6 canais horizontais na vertente da Lagoa de Confins, para recebimento e amortecimento das torrentes. Estes canais foram dotados de vertedouros filtrantes para retenção dos sedimentos.

Considerando-se que a construção do Aeroporto gerou um acréscimo de vazão sobre a bacia do Ribeirão do Jaque foram indicadas duas barragens para contenção dos picos de vazão, com finalidade de regularização e proteção da bacia.



O Problema das Grutas

Alguns segmentos mal informados da comunidade mostravam-se apreensivos com relação a impactos da obra sobre o acervo cultural representado pelas grutas e abrigos da região. Esta hipótese não apresenta fundamentos, visto que:

• o local da construção do aeroporto, embora na região destes valores, encontra-se afastado dos sítios de ocorrência das grutas e abrigos da região;

• a localização do Aeroporto sobre um platô filítico, 100 m acima da região calcária onde ocorrem as grutas, implica na impossibilidade de sobrevôo a baixa altura;

• as grutas regionais não apresentam deposições minerais suscetíveis de fragmentação por reverberações sonoras;

Dessa forma, as grutas mais próximas, Lapa do Galinheiro e Lapa Vermelha, não estão ameaçadas pelo aeroporto.


Belo Horizonte ganha um novo aeroporto

O aeroporto de Confins começou a operar oficialmente às 04:30 do dia 02 de janeiro de 1984, com a chegada do Boeing 737-200 da VASP, matrícula PP-SMA, procedente de Belém e São Luiz e que decolou trinta minutos depois com destino a São Paulo.


(Clique para ler a reportagem completa)






As obras ainda estavam em andamento e o Aeroporto de Confins foi inaugurado com apenas metade de sua capacidade operacional. Sua entrada em operação foi antecipada a fim de se evitar os transtornos ocorridos no período de chuva, quando o aeroporto da Pampulha fechava (e ainda hoje fecha) com freqüência.












A inauguração oficial ocorreu no dia 28 de março de 1984, com a presença do então Presidente da República, General João Batista Figueiredo. No seu primeiro mês de funcionamento, cerca de 90 mil passageiros utilizaram o aeroporto, 946 aviões pousaram e 943 decolaram.


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2 comentários:

Rodrigo disse...

Parabéns a todos do CNF ao vivo!!!Ficou d+++!!!!
Eu tenho umas imagens alias num livro aqui de quando estava sendo construido CNF, se quiserem...XD

gigiomg disse...

Parabéns por esta reportagem historica. Este site e o grupo de pessoas que o mantém são simplesmente extraordinarios.